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Atlético-MG elimina Godoy Cruz na Argentina e avança às quartas da Sul-Americana

Atlético-MG elimina Godoy Cruz na Argentina e avança às quartas da Sul-Americana
Higor Henrique 0 Comentários 28 agosto 2025

Vitória com cara de mata-mata

Um chute certo. Foi o bastante para o Atlético-MG despachar o Godoy Cruz em Mendoza e garantir lugar nas quartas de final da Copa Sudamericana. Nesta quinta, 21 de agosto de 2025, no Estadio Feliciano Gambarte, o Galo venceu por 1 a 0 e fechou a série em 3 a 1 no agregado, depois do 2 a 1 no jogo de ida. O herói foi Natanael, que apareceu na hora certa para decidir aos 48 do segundo tempo, num lance típico de mata-mata: confusão na área, sobra viva e finalização fria para silenciar o estádio.

A ideia de jogo ficou clara desde o apito inicial. Com vantagem construída em casa, o time de Cuca adotou um plano mais conservador, linhas compactas, bloco médio-baixo e poucas concessões nos espaços entrelinhas. A estratégia segurou a pressa do Godoy Cruz, que tentou acelerar pelos lados e abusou dos cruzamentos. A defesa mineira respondeu com organização: cobertura bem feita, boa leitura de segunda bola e poucos riscos reais até a metade final da partida.

Houve tensão nos primeiros minutos, com os argentinos pedindo pênalti numa disputa dentro da área. O árbitro mandou seguir, e o jogo retomou o ritmo de batalhas físicas, pressão local e paciência visitante. Everson trabalhou pouco, muito pela proteção da última linha e pelo encaixe das perseguições no meio. Quando o Godoy Cruz conseguiu transitar, faltou capricho no passe final e presença para finalizar em condições.

O Atlético não tinha urgência em acelerar. Cadenciou quando pôde, diminuiu o volume do jogo e esperou o momento para ser cirúrgico. E ele veio no segundo tempo: na primeira chance clara, o time mineiro marcou. A jogada nasceu de bola alçada e disputa aérea, a defesa argentina não afastou com firmeza e Natanael apareceu livre para mandar para as redes, tirando do goleiro. O gol mudou o humor do estádio e, na prática, encerrou as dúvidas sobre a classificação.

O dado que resume a noite: foi o único chute no alvo do Galo em 90 minutos. Eficiência levada ao limite. Em mata-mata continental, isso pesa. O time suportou o ambiente hostil, jogou o placar da ida a seu favor e não se desorganizou nem quando o Godoy Cruz colocou mais atacantes para tentar o tudo ou nada.

O desenrolar final teve roteiro conhecido. Cuca acionou peças para segurar o resultado e controlar o relógio: Igor Gomes entrou no lugar de Alexsander aos 84, para refrescar o meio, e Igor Rabello substituiu Rony aos 89, reforçando o setor defensivo. No calor dos acréscimos, cartões para Fernandez (Godoy Cruz) e Vera (Atlético) mostraram o clima de fim de jogo, sem abalar a solidez mineira.

Mais do que o placar, o desempenho fala de maturidade. O Atlético se defendeu bem perto da própria área, negou espaços de finalização e conduziu o duelo para a zona de conforto. Quando precisou, foi direto, prático e eficaz. Everson apareceu com segurança no alto, a zaga venceu duelos chave e o meio combateu sem perder a forma. Natanael, pela decisão no lance do gol, coroou a atuação coletiva com um detalhe que decide série.

O que vem pela frente

O que vem pela frente

Nas quartas, o adversário será o Bolívar, que avançou sem drama sobre o Cienciano. O duelo carrega uma variável que costuma pesar: altitude de La Paz, onde a equipe boliviana é muito forte. A preparação passa por gestão de carga, adaptação e atenção às bolas longas e à velocidade do jogo em campo alto, onde a bola corre diferente e o erro de tempo de bola costuma custar caro.

O Galo chega a essa fase com uma identidade clara nesta Copa Sudamericana: poucos espaços atrás, posse racional e aproveitamento alto das chances criadas. Em séries curtas, isso é ativo valioso. A comissão técnica deve mirar um jogo sem concessões fora de casa e buscar intensidade controlada em Belo Horizonte, cenário em que o time costuma ter mais volume.

O recado da noite em Mendoza também vale para o que vem: paciência, concentração e frieza. O mata-mata continental costuma premiar quem sofre bem, não se perde emocionalmente e escolhe a hora certa de atacar. Sem brilho exagerado, mas com um plano alinhado, o Atlético se mantém vivo na busca por um título inédito para o clube nesta competição.

Para o Godoy Cruz, fica a sensação de que a pressão territorial não virou chance clara na medida necessária. O time argentino teve seu momento, sobretudo no início de cada tempo, mas esbarrou na parede mineira e no próprio nervosismo quando a necessidade apertou. Em jogos assim, a primeira bola que cai dentro da área decide — e caiu para os brasileiros.

Datas, mandos e detalhes das quartas serão confirmados pela organização do torneio. Até lá, o Atlético administra o bom momento, celebra a eficiência em território argentino e vira a chave para a próxima etapa sem lesionados relevantes e com a confiança em alta depois de um mata-mata jogado com cabeça fria e execução precisa.