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Dólar recua e Ibovespa sobe após Trump sinalizar paz com Irã

Dólar recua e Ibovespa sobe após Trump sinalizar paz com Irã
Higor Henrique 0 Comentários 10 abril 2026

O mercado financeiro brasileiro respirou aliviado nesta segunda-feira, 9 de março de 2026. A notícia veio de longe: declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito com o Irã pode finalmente chegar ao fim. O impacto foi imediato. O dólar fechou o dia com uma queda expressiva de 1,52%, cotado a R$ 5,1643, enquanto o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,86%, atingindo os 180.915 pontos.

Aqui está o ponto central: o mercado odeia incerteza. Quando o líder da maior economia do mundo fala em desescalada de tensões geopolíticas, o apetite por risco volta a crescer. Investidores que estavam refugiados em moedas fortes decidiram apostar novamente em mercados emergentes, como o Brasil. Mas, para entender por que essa queda do dólar é tão celebrada agora, precisamos olhar para o rastro de volatilidade que Trump deixou nos últimos meses.

O efeito montanha-russa das tarifas de Trump

A reação positiva de hoje é um contraste gritante com o cenário vivido em 2025. Naquele ano, qualquer palavra vinda da Casa Branca sobre tarifas costumava disparar a moeda americana. O investidor brasileiro aprendeu a temer as notificações de Trump. Lembra daquele clima tenso em julho do ano passado? Pois é.

No dia 7 de julho de 2025, o dólar já operava em alta de 0,54%, cotado a 5,45%, apenas porque Trump ameaçou aplicar novas tarifas aos países do BRICS e seus aliados. O clima era de apreensão, especialmente com a proximidade de um prazo final de negociações protecionistas que expiraria em 9 de julho de 2025. Naquela data, a moeda americana fechou em alta de 1,06%, atingindo R$ 5,5032.

O golpe final daquele período veio com a ameaça de tarifas sobre produtos brasileiros, que deveriam entrar em vigor em 1º de agosto de 2025. Trump enviou cartas a líderes de 14 nações anunciando taxas que variariam entre 25% e 40%. O resultado? O Ibovespa desabou 1,31%, recuando para 137.481 pontos. Foi um período de pura instabilidade, onde a economia brasileira ficou refém de tweets e notificações oficiais.

Guerra comercial e a pressão sobre o Real

A volatilidade não começou em julho. Já em abril de 2025, o mercado viveu dias angustiantes. No dia 7 de abril, o dólar fechou em R$ 5,911, quase batendo o recorde de 28 de fevereiro, quando chegou a R$ 5,916. O gatilho foi a ameaça de Trump de impor uma tarifa adicional de 50% sobre produtos chineses, caso a China não revertesse sua sobretaxação de 34%.

Houve até um momento curioso (e perigoso) naquela manhã de abril: circulou uma notícia falsa dizendo que o presidente suspenderia os aumentos tarifários por 90 dias. O dólar caiu rapidamente. Mas, assim que a Casa Branca desmentiu a informação, a moeda disparou novamente. Isso mostra o quanto o mercado estava nervoso, reagindo a qualquer sinal, mesmo que falso.

Segundo o especialista em câmbio Alexandre Cabral, a dinâmica era de expectativa. O mercado apostava que o presidente republicano acabaria recuando em suas ameaças. Cabral alertou na época que, se Trump realmente implementasse todas as tarifas, a moeda americana subiria ainda mais, pressionando a inflação global.

Análise: Por que a paz com o Irã move a bolsa no Brasil?

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Você pode se perguntar: "O que o Irã tem a ver com o Ibovespa?". A resposta está no preço do petróleo e na estabilidade global. Conflitos no Oriente Médio costumam encarecer a energia e gerar pânico, o que leva investidores a tirarem dinheiro de países como o Brasil para comprar dólares (o chamado "vôo para a qualidade").

O analista financeiro Alan Ghani observa que a retórica de desescalada reduz a percepção de risco. Com a possibilidade de paz, o fluxo de capital retorna para as ações. Além disso, a situação da dívida pública dos Estados Unidos — descrita por críticos como insustentável e gigantesca — torna o dólar mais sensível a notícias geopolíticas. Quando o mundo parece menos perigoso, o dólar perde um pouco de sua aura de "porto seguro".

Resumo dos Fatos:
  • Data do impacto: 9 de março de 2026.
  • Movimento do Dólar: Queda de 1,52% (R$ 5,1643).
  • Movimento do Ibovespa: Alta de 0,86% (180.915 pontos).
  • Causa: Declarações de Donald Trump sobre o fim da guerra com o Irã.
  • Contexto anterior: Histórico de alta volatilidade em 2025 devido a tarifas contra BRICS e China.
O que esperar para os próximos meses

O que esperar para os próximos meses

A pergunta que fica é: esse alívio é duradouro? O mercado brasileiro provou que é extremamente sensível ao humor de Trump. Se a diplomacia com o Irã avançar, podemos ver um período de maior estabilidade no câmbio. No entanto, as questões tarifárias com a China e os BRICS ainda pairam no ar como fantasmas.

A tendência agora é observar se haverá a formalização de acordos de paz ou se foi apenas mais uma declaração para acalmar os mercados. Por enquanto, o investidor brasileiro prefere comemorar a queda do dólar e a recuperação da bolsa, mas mantém um olho atento às notícias vindas de Washington.

Perguntas Frequentes

Por que a fala de Trump sobre o Irã afetou o dólar no Brasil?

Quando há sinalização de paz em conflitos globais, o nível de aversão ao risco dos investidores diminui. Isso faz com que eles retirem capital de refúgios seguros (como o dólar) e invistam em ativos de maior rendimento em países emergentes, como o Brasil, aumentando a oferta de dólares no mercado e reduzindo seu preço.

Qual era a situação do dólar durante a crise tarifária de 2025?

Em 2025, o dólar viveu picos de instabilidade, chegando a R$ 5,916 em fevereiro. A moeda subia sempre que Trump ameaçava impor tarifas, como as de 50% contra a China ou as de 10% contra o bloco BRICS, gerando medo de retaliações comerciais e desaceleração econômica global.

Como o Ibovespa reagiu às ameaças de tarifas em julho de 2025?

O índice recuou 1,31%, caindo para 137.481 pontos em 9 de julho de 2025. A queda foi motivada pelo anúncio de que tarifas de 25% a 40% seriam aplicadas a produtos de diversas nações, incluindo o Brasil, a partir de agosto daquele ano.

O que os analistas dizem sobre a dívida dos EUA e o valor do dólar?

Analistas apontam que a dívida americana é considerada excessivamente alta e potencialmente insustentável. Isso torna a moeda mais volátil, pois qualquer instabilidade política ou econômica interna nos EUA pode abalar a confiança dos investidores na moeda global, influenciando as cotações no mundo todo.